Que até as minhas mãos tremem como se estivesse a ressacar.
Parece que perdi a coragem de pegar num lápis,
De dar asas a um sentimento,
A uma frase que apenas dura alguns segundos na minha mente,
Como quem grita para abusar dela
E de umas palavras formar um texto de delírios e fantasias,
Embarcando numa viagem pelo meu subconsciente,
Pois só assim consigo comunicar com ele
E que estranho estranho Mundo me apresenta ele,
De normal nada tem,
De fantástico fica aquém
Mas de infinito é feito ele.
Desde o tecido mais fino ao mais grosso
E entrelaçado de pensamentos e imagens como se de um filme do Tim Burton se trata-se,
Mas ainda por explorar.
Cada pedaço de cera dos meus ouvidos,
Cada catota dos meus galhos do nariz,
Cada gota das minhas lágrimas,
Cada gota do meu suor,
Cada pedaço de saliva partilhada,
Tudo isto são frases que eu perdi e não transformei,
Tudo isto perdido para o ar
Onde tudo o vento leva
E quem sabe as minhas frases não estejam agora a ser aproveitadas
Por alguém onde tenham força para crescer
E se tornarem em algo bonito de se ler
Onde se evidencie sentimentos reais
Por trás de devaneios verdadeiros
E assim é como imagino
Tudo o que eu não aproveito de mim possa florescer
Em alguém que realmente dê uso ao que eu não dou abuso.
O tremor abrandou,
A cabeça aliviou,
Mas a saudade e o desanimo mantêm-se
Como se estivessem a fazer luto de tudo o que se perdeu
E que por tanto tempo me envolveu em sentimentos variados
E que eu pintava em palavras prontas a serem consumidas pelo leitor mais próximo.
Criando uma nova visão sobre mim a cada texto digerido por outrem.
Assim me tornei entendedor.
Assim me tornei pensador.
Assim me tornei um apaixonado pelo estranho e enigmático.
Assim me deixei levar pela fantasia de que aquilo que vive em mim nunca se perderá...
Carlos CM Sousa
