A Lágrima Perdida No Nascer de Pensamentos 24/05/2014
Estas a imaginar daqueles dias em que acordas
E que o simples mover de olhos faz a tua cabeça latejar de dor?
Mas há tanto que quero fazer deste dia,
Ser produtivo ou então apenas deixar-me estar ao Sol
Até que sejam horas de ir para casa,
Mas dou conta que acordo e meio dia já passou.
Então, o que me sobra?
Bombo um comprimido para as dores
E siga para duche,
E siga para vestir,
E siga almoçar,
E siga tomar café,
E siga desperdiçar meia tarde no computador sem fazer nada de útil para a sociedade.
Mas por outro lado também não fiz nada para a prejudicar.
Meio fim da tarde e dou por mim beira rio,
Caderno e lápis nas mão,
Phones nos ouvidos e mp3 a trabalhar.
Sinto-me mesmo bem aqui,
Parece que os problemas ficam longe,
Por um pouco,
Para poder respirar levemente.
Mesmo longe pesam,
O alivio dura pouco
E há que começar a escrever, descrever, ilustrar.
Ideias, pensamentos, sentimentos.
Apesar de estar Sol, a luz não passa,
Têm sido semanas difíceis,
Em que cada sorriso esboçado vale ouro,
Cada pequeno prazer sinto-o amplificado.
Têm sido tão poucos, tão raros.
E depois do nada cai uma lágrima,
Mas não estou a chorar,
Provavelmente cansou-se de viver em mim
E preferiu atirar.se olho fora
Para o abismo da minha face
Onde escorreu até secar.
Enquanto isto sucede, na minha cabeça correm pensamentos,
Questionando o porque daquele suicídio lacrimal.
Será por estas perdas que sinto um vazio a aumentar?
Sugando o que o rodeia e criando ideias que magoam?
Ou acabariam por magoar outros?
O vazio assusta mas não manda,
Ouço o que ele cria
Mas apesar de tentador
Tenho coisas para lutar que não posso parar só porque algo novo apareceu
Com a promessa de mundos melhores,
Não me vendo assim,
A minha alma ainda reside por cá,
Apesar de que cada vez mais sentir que se tem afastado
E no dia em que decidir partir,
Ficarei à mercê de todo o mal que cerca este mundo grotesco.
Desistir parece sempre tão fácil,
Mas depois o que resta?
Desistir é sempre fácil.
Difícil é continuar e fazer cara bonita,
Mostrar ao mundo que está tudo bem,
Quando na realidade tens o cérebro em obras,
É uma remodelação,
Primeiro destrói-se para reconstruir.
A fase da destruição está em curso,
Mas não projecto para o novo.
É como ir a alta velocidade numa recta em que o fim é um muro
Não tens travões,
É uma descida íngreme
Com saídas de emergência.
Que é o mesmo que desistir,
Sem dar uma hipótese ao tempo,
Para remover aquele muro final
Onde te destróis ou ficas mais forte.
Não estou disposto a atirar tudo janela fora
Apenas porque ia sofrer menos.
Sofrer faz parte,
Lembra-me que estou vivo,
Mas também as coisas boas.
E onde andam elas?
É como o burro que tem um pau à frente com uma cenoura amarrada por um fio,
E por mais que corra nunca alcança.
E mesmo que até apanhe essa cenoura, ela não dura sempre
E há que correr atrás da próxima
.
É fim de tarde e está na hora de chamar os pensamentos pesados de volta,
Pois temos que ir embora.
E sem mim, eles perderiam-se
Em alguém
Ou por alguém.
E depois vinham fazer-me a vida negra.
Só mais um pouco.
CM


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