sábado, 14 de julho de 2012

ARGH



ARGH,

Este aperto que sufoca cada ver aperta mais,
Cada aperto mais forte como que se rasga-se o ar dentro de mim inutilizando-o,
E com o ar vão-se me as forças que com cada expiração me dá vontade de baixar os braços e apenas me deixar ir,
Forças que parecem tão poucas me fazem pensar tanto e nada de jeito,
Sinto o meu cerebro como se no meio de um campo de futebol apagado e vazio se encontra-se
E que os pensamentos ecoam de tal modo que só pensar faz-me doer a cabeça,
Até escrever este texto está a esgotar-me as poucas forças que tenho para divagar
Ou opinar sobre o que estou a sentir,
Cair em espiral mas sem estar a cair,
Estar com os pés assentes na terra mas nao sentir o chão e ter a sensação de que nada é seguro,
E as ideias que parecem competir umas com as outras para ver qual delas chega primeiro
Num circuito em circulo infindavel em que o vencedor será ninguém.

E ninguém diz-me tanto,

Calado

Inseguro

Incerto

Incapaz

Incognito

Misterios que ninguem quer descobrir porque não tem capacidade de ver além.

Esta minha aura de ferro fundido que ninguem consegue trespassar
Só tem uma entrada e só pode ser aberta de dentro para fora,
Aqui quem tem o poder sou eu,
E tão depressa se entra como se sai,

Cada passo é cuidadoso porque o piso é instavel
E eu facilmente inflamavel assim que da minha aura passam.

Cá dentro reina ninguém,
E Comigo só ninguém sofre como eu,
Corroido por pensamentos afiados de dois gumes,
Eu e ninguem trespassados sangramos e por mais vezes que nos cortamos
Parece que a vida tem o prazer que nos manter por um fio,
Um fiosinho pequenino que nos mantem conscientes daquilo que estamos a sofrer
Mas impotentes de fazer algo para o mudar,
E como se nao chegasse, entrelaçam-nos uma corda ao peito e apertam e apertam
Até que ninguem chora e ninguem grita
E eu deixo a vida ir,
Acompanhada pelo ar
Empurrado pelas minhas forças resteas...


Deixemos os olhos cerrarem e o cerebro desligar por umas horas
O corpo cair nos lençois e a alma que se aninha num canto se apagar

Aproveitar para respirar enquanto ninguem está a ver e ninguem dá conta
Porque assim que a luz se ligar de novo ligam-se as maquinas e o ciclo começa de novo.

Sinceramente não sei,
só sei que
Nada sei
E que ao mesmo tempo
Tudo sei
E ninguem sabe
o que ninguem quer saber
pois ambos sabemos que saber trás mais gumes afiados prontos a ...


With pain CM

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